Mais Vinicius, por favor

02/01/2013

Vinicius era um apaixonado. A-p-a-i-x-o-n-a-d-o.
Com todas as consoantes e vogais.
Casou 9 vezes e levou uma vida, que por certo, despertou muita inveja.
Pessoas que, sem medo, se doam à vida despertam mesmo este sentimento.

Nunca conversamos, nunca fomos amigos, nunca nem se quer nos vimos.
Não fomos nem contemporâneos, infelizmente.
Mas o seu legado fala alto à minha essência e quando leio, ou escuto qualquer verso sinto uma mistura de injeva e gratidão.

Escutar Vinicius é como fazer terapia, se reconhecem sentimentos.
Sentimentos que muitas vezes, nem sabíamos que existiam, ou se sabíamos, ainda não reconhecíamos.
Um bem enorme para os ouvidos, um bem ainda maior para a alma.
Engraçado como o amor permite tantos clichês, mas tão poucos são capazes de expô-lo.
É preciso viver com todas as consoantes e vogais.
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão.

Mais paixão.
Mais intensidade.
Mais medos.
Mais casamentos.
Mais Vinicius, por favor.

Bom dia

10/12/2012

Abri os olhos e você estava ali.
Sem maquiagem, cabelo bagunçado, remela, cara amassada. Linda.
Bom dia.
Onde você escondeu a minha vontade de levantar?
Trago você mais pra perto para procurar embaixo do seu travesseiro. Nada.
O meu desejo quando acordo ao seu lado é eternizar cada manhã, construir um novo mundo embaixo dos lençóis, o nosso mundo.
É extramente confortante abrir os olhos e encontrar você no travesseiro ao lado.
E saber que se tem alguém para dividir o dia, alegrias e tristezas, alguém para dividir a vida.

Sexo de manhã é completamente diferente do sexo à noite.
A noite é como o tesão, acaba num piscar de olhos e nenhum tesão, por mais forte que seja, é o bastante para sustentar a luz do dia.
Reveladora demais.

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A luz do dia exige um sexo sem máscaras, exige olho no olho, corpo à mostra, exige coragem, amor.
No calor da noite, calças jeans, saias de paetê, cuecas e sutiãs encontram facilmente o caminho do chão sem se pensar em quase nada.
Como vai ser amanhã?

Não sei. Sei que geralmente os dias são mais difíceis do que as noites, afinal é preciso 8h para dormir, só.  As outras 16h, se gasta acordado, e em regra geral sem caipirinhas de limão, maços de cigarro e maquiagem.

*Foto Daniel Nicolaevsky
http://www.nicolaevsky.com/

Lá no meu lugar

03/12/2012

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Todo mundo precisa de um lugar.
Um lugar pra viver,
Um lugar pra ficar,
Um lugar pra voltar.
Lugar é segurança, é aconchego, é ter a certeza que se pode ir…

Hoje nós vamos.

E vamos levar este lugar, porque lugar é na teoria um espaço, um espaço para histórias acontecerem, um espaço para pessoas e sem pessoas um vazio.

Lá neste lugar, eu fui acolhida, recebi colo e fiz amigos de verdade.
Lá neste lugar, eu aprendi a observar, a sentir, a viver a dois.
Lá neste lugar, eu construí uma família, a família que eu escolhi como lugar.
Não é lugar segurança e aconchego?

Lá neste lugar eu aprendi um novo jeito de viver e hoje, eu sei que não é preciso voltar.
Porque este lugar estará pra sempre comigo, não importa aonde eu for.

*Foto Daniel Nicolaevsky
http://www.nicolaevsky.com/

 

Carta ao Papai Noel

23/11/2012

Querido Papai Noel,

Eu tenho alguns natais a mais do que você deve estar imaginando afinal, o senhor não deve receber com frequência cartas de pessoas que já passaram dos seus 10 anos de idade. Mas peço, por favor, que o senhor leia a minha carta porque por aqui as coisas não estão nada fácies e talvez, com as casas iluminadas pelos pisca-piscas, decoradas com guirlandas e bolas vermelhas o senhor se penalize e desça pela minha chaminé.

Se eu fui uma boa menina? Não. Não fui.
Pequei pelo excesso. Fui mais emoção do que razão,desobedeci e muito os meus conselheiros mais fiéis.
Confesso. Na arte de amar eu ainda tenho menos natais do que eu gostaria.
Aprendi.
E hoje já sei o que pedir, e por isso a minha carta.
Eu não quero uma boneca que chora e faz coco, eu não quero o último lançamento de vídeo game, nada que venha pronto dentro de uma caixa.
Eu quero algo feito só pra mim, quase que sob medida, algo meu. Só meu.
Sabe aquelas crianças que ganham o tão sonhado brinquedo e os pais ficam tentando convencê-las “empresta pro amiguinho, ele quer brincar também…”.
Depois de alguns natais a gente aprende que quando a gente empresta o nosso brinquedo, quando volta, não volta do mesmo jeito, não volta do nosso jeito.
Não mãe, esse eu não quero emprestar. Não quero e não vou.

Eu quero algo que eu não enjoe, que eu não queria me desfazer nem mesmo depois de 200 anos de uso. Algo que nunca saia de moda.
O amor ainda está na moda?
Por aqui parece que não, Papai Noel.
Pois, neste natal, eu quero a sorte de um amor tranquilo, como cantou Cazuza.
Podem me achar piegas, cafona. Prefiro.

Prefiro as juras eternas de amor que não respeitam o tempo.
Prefiro as tardes e noites de chuva embaixo do edredom.
Prefiro o conforto de um único abraço, o gosto de um único beijo.
Prefiro a complexidade e o prazer de ser dois.

Se eu serei uma boa menina? Não sei.
Talvez eu continue pecando.
Eu sempre pequei pelo excesso de emoção, que jeito? Mas prometo ser mais racional.
Eu preciso, eu quero.
E hoje, mesmo eu ainda sendo uma aprendiz na arte de amar, a medida que cada natal vem, vou percebendo que só quando a gente sabe o que pedir, os nossos sonhos se tornam reais.

Desde já obrigada,
Karina

*Foto Daniel Nicolaevsky
http://www.nicolaevsky.com/

Os monstros que não nos torna adultos

16/11/2012

Faz pouco mais de 12 horas que você saiu daqui. O cheiro do seu suor ainda está no meu lençol, no meu travesseiro, no meu corpo. Você foi e deixou tudo em silencio, não escuto mais os meus gemidos, a sua respiração ofegante ao pé do meu ouvido, o seu, e só seu jeito de me chamar quando nós dois somos um só. As minhas pernas ainda bambeiam quando arrisco passos mais largos e quando fecho os olhos posso quase que sentir sua língua percorrendo todo o meu corpo, posso sentir você por inteiro, por completo.

Meu.

Depois de ter apanhado com força durante o ato.
Revidei, tomada por uma raiva, com um tapa na sua cara.
Brincando podemos colocar em prática nossos desejos mais íntimos de uma maneira bem sutil. Caso dê errado era só uma brincadeira.

Tô com raiva de você. – Eu disse meio que sorrindo. E logo perguntei:
Como você pode ser tão idiota? Ainda sorrindo e com tapinhas sutis para parecer brincadeira.
Vai jogar fora tudo o que nós temos juntos porque está com medo?

Ele não me respondeu.

Não, você não vai jogar fora.
Também não vai viver.
Vai ficar em cima do muro.
Mais confortável, não?
Previsível.

Natural sentir medo, não o condeno por isso.
Atire a primeira pedra quem nunca sentiu. Ainda mais quando nos vemos de olhos vendados sem saber onde estamos pisando. Pode haver perigos, muitas dores, decepções.
Pode, se entregar é sempre um risco.

Depois de anos de terapia percebi que diante do medo o ser humano tem três, e somente três, reações. A mais comum é paralisar, o medo é tão grande que ficamos ali intactos, em cima do muro, a segunda, acontece quando o medo é imenso e mais parece um monstro hollywoodiano, corremos feito uma criança assustada, fugimos.

Mas lembre-se de um pequeno detalhe. Somos adultos.
E a terceira, e cada vez menos comum é enfrentar.

Vamos ver no que dá?
Vamos assumir o que sentimos?
Andar de mãos dadas? Tomar sorvete após o trabalho?
Nos permitir?
Vamos nos entregar de corpo e alma?
Alias, de alma. Porque de corpo já estamos entregues.
Completamente.

Bullshit!

20/06/2012

Todo conto de fada que se preze é sempre a mesma coisa. Príncipes, sapos, bruxas, pó de perlimpimpim e muita magia. As histórias são quase que repetições, umas com anões, outras sem.

Sim, esta tem anões, anões não. Anão.
Uma princesa quase tão branca quanto à neve, mas não era Branca de Neve.
Branca de Neve é clichê demais para esta princesa e histórias clichês não fazem parte do mundo desta princesa, nunca fizeram.

Por isso nada de príncipes. Príncipes são previsíveis, usam capa vermelha e só beijam no final.

Em um baile da corte, a princesa se encantou com um homem fantasiado, um plebeu.

Hoje é este plebeu que faz ela se sentir uma princesa de verdade.
Será mesmo ele um plebeu!?

Como pode!? Se questionam alguns membros da corte. Um plebeu e uma princesa!? Ele não tem posses, não mora em um palácio, não tem um cavalo branco.

Mas princesa que é princesa pouco se importa com títulos ou posses. O que pode haver de mais precioso que o brilho dos olhos do plebeu quando a princesa, depois de um ato heroico do plebeu, declara toda a sua admiração!?

Talvez o que a princesa precise é justamente o que o plebeu tem a oferecer. Nada de família real, nada de palácios luxuosos ou cavalo branco. Nada de conto de fadas. Bullshit!

Querer um príncipe seria muito previsível para uma princesa que de princesa, só tem os bens.
No mundo real não há princesas, muito menos príncipes.

Talvez o que a princesa precise é perceber que o mundo não é um sonho, não é um conto de fadas, como na história que criaram para ela.
Talvez o que a princesa precise é de um plebeu suficientemente corajoso para acordá-la com um beijo apaixonado. E por favor, nada de contos de fadas.

Quebra-cabeça

20/03/2012

” A verdade é tão preciosa que precisa de tantas mentiras para não ser revelada.” Sou fã confessa de Pedro Bial, ele escreve versos que eu queria ter escrito mesmo sem gostar tanto de poesia.

Desisto. Eu não vou encontrar a verdade, ela é preciosa, está escondida. Em vão eu me esforçar, em vão eu deixar minha intuição atenta ao que está por trás de cada detalhe, em vão perder horas de sono juntando fatos, olhares, palavras como se fossem um quebra-cabeça, eu não vou encontrá-la. Preciso me conformar. Haverá sempre um porém, uma pontinha, a dúvida. Maldita seja.

Eu conheço a verdade que o meu coração anseia, conheço o seu desejo e por alguns momentos misturo, me deixo levar, me satisfaço, sonho alto, sonho acordada, faço ele bater mais forte. Será mesmo que a verdade está escondida? Ela está bem aqui na minha frente. Eu vi, senti, e quase pude tocá-la, mesmo sendo verdade um pronome abstrato.

Eu conheço a verdade que a minha razão impõe. A verdade que, na verdade, me impuseram. Dura, cruel, será mesmo verdade? Uma verdade que não faz parte do meu maravilhoso mundo, mas que se faz verdade por, certas vezes, fazer algum sentido. Razão. Será mesmo que a verdade está escondida?

Desisto. Eu não vou encontrar a verdade, ela é preciosa, está escondida. Melhor eu aprender a lidar com a sua inexistência, fingir que não existe, já que sou incapaz de encontrá-la.

A minha bola que quica

31/12/2011

Diferente de muitas, eu, quando criança, sempre tive tudo o que quis. Lembro muito bem. Devia ter aproximadamente 8 anos, ou nem isso, em um passeio informal de final de semana com meus pais, eu vi na vitrine de uma loja uma bola pequena mais ou menos do tamanho de um limão, duas cores, rosa e amarela translúcida. O que ela tinha de tão diferente, além da cor? Ela quicava. A bola que quica, como eu chamei na época.

A vitrine estava repleta delas. Todas amontoadas, valorizando as cores, uma forma fácil de chamar a atenção de qualquer criança que por ali passava. Entramos na loja, por insistência minha. Pude pega-lá, brincar por alguns minutos, mas não era minha, ainda. Eu não precisava, eu queria.

Quantas crianças racionais existem no mundo?

Depois de muito pedir, a razão adulta do meu pai gritou não para o meu desejo de menina mimada. Sem derramar uma única lágrima, frustrada, eu fechei a cara. No meu mundo, pai, querer é poder, querer era poder, pelo menos até esse dia. O passeio, que era informal, se transformou em algo formal. Respondia aos meus pais, como uma criança tímida conversa com um estranho. Sim, não, não quero, não vou. O passeio durou só mais alguns minutos, óbvio.

No caminho de volta ao carro, meu pai deu meia volta, como se tivesse esquecido a chave do carro. Para a minha não surpresa, meu pai, que até hoje é muito previsível, voltou com a bola que quica, com a minha bola que quica.

Pai eu não precisava, eu queria. Obrigada.

Depois de alguns anos de terapia; sim, uma criança que sempre teve tudo (e uso tudo como pronome indefinido, em seu mais alto grau de indefinição) o que quis, precisa aprender a lidar com os nãos que a vida impõe, um dia de cada vez. Mas hoje, essa “ex menina mimada” sabe diferenciar o que quer do que precisa, e na maioria das vezes, estes dois verbos andam juntos.

O que eu quero é quase sempre exatamente o que eu preciso.

Mas não, hoje, o meu pai não pode mais comprar pra mim. Não porque ele não queira, não possa, ou seja racional demais. Ele compraria, se o que eu quero hoje estivesse exposto em uma vitrine, ele compraria se tivesse preço. Não tem preço. Tem valor.

Eu preciso da mistura de paz e frison que sinto quando você está por perto.
Sabe quando está tudo calmo por dentro e as pernas ficam bambas?

Eu quero o seu beijo, as suas mãos, o meu corpo.
Quero você. Todo, completo, inteiro. Defeitos e qualidades, problemas e aprendizados. Não, eu não preciso, eu quero.

Eu preciso aprender o real significado da palavra paciência.
Eu quero aprender, com você, o real significado da palavra paciência.
Hoje, você pode me ensinar a lidar com um tempo que não seja o meu, assim como tentou o meu pai, há 16 anos atrás.

Quantos adultos racionais existem no mundo?
Hoje, eu quero a minha bola que quica.
E a minha bola que quica é você.

I hate orange

14/12/2011

Abóbora, sopa de abóbora, cenoura, halloween.

Dani está na fase do laranja. Sem saber nem ter conhecimento, ele está na fase do laranja. Terceira vez que fica gripado esse mês, dor de cabeça constante, labirintite, infecção urinária, até xixi laranja Dani está fazendo, efeito do remédio. Tadinho. Desse jeito Dani, fica impossível sair de casa, quanto mais estar fisicamente com alguém, né? A não ser que esse alguém tenha título de Doutor.

Liso.
O mais liso, como ele mesmo se autodefine e enfatiza com um aparente prazer. Estranho, mas me soa como uma tentativa de se autopromover. Tiro no pé? Não. Esperto; muito esperto, mas liso.

Não há uma peça de roupa laranja no armário de Dani. Soube disso dia desses, quando recebi um telefonema de Dani com uma voz de muita indignação:

– Você não sabe!? Acabei de ver uma menina usando uma blusa “I Love Orange”. Como pode!?
– Ué. Tem gente que gosta. Eu disse.

Melhor não contrariar.

Dani nunca gostou de laranja, de forma inconsciente talvez ele já soubesse o que o esperava, nada é por acaso.

Fase do laranja é assim mesmo, Dani. Mas passa, como tudo na vida. E como dizem por ai depois da fase do laranja vem a bonança.

Pajerão

05/12/2011

” Ele era gordo, feio, suado e tinha bafo.” Mais uma confissão rodeada de fandangos, copos vazios de ovomaltine do Bob´s e sapatos profissionais de dança de salão. Mais uma confissão pro Pajerão.

Tadinho.
Mais uma, entre tantas, tantas outras.

Diante; ou melhor, dentro do Pajerão não há vergonha, não há pudor. Ele conhece, em minúcias, o que há de melhor e pior em nossos “eus”. Quase um confessionário, talvez o único que os pecadores, melhor dizer, que as pecadoras não recebam penitências. Porque também se recebessem…

Não há penitência, pois não há padre e muito menos santas, são só confissões.

Quantas pessoas o Pajerão já ouviu falar, quantas o Pajerão conhece, quantas ele conhece e já ouviu falar, a maioria. Curiosos podem querer ir atrás do Pajerão; em vão. Ele que tudo sabe, nada conta, nem sob forma de tortura, nem chantagem.

O que é confessado no Pajerão, fica no Pajerão.


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